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domingo, 28 de fevereiro de 2016

II Ciclo de Palestras do LABETNO: Arqueologia Musical Amazônica


II Ciclo de Palestras do Laboratório de Etnomusicologia da UFPA
Tema: Arqueologia Musical Amazônica

O projeto Arqueologia Musical Amazônica é coordenado pela professora Líliam Barros e desenvolvido no Grupo de Pesquisas Música e Identidade na Amazônia, vinculado ao Laboratório de Etnomusicologia. A palestra em tela será proferida pela bolsista PIBEX Camila Costa e pela pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi, dra. Cristiana Barreto, ambas vinculadas ao projeto Arqueologia Musical Amazônica.



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Entrega das réplicas dos instrumentos musicais pré-coloniais ao Museu Paraense Emílio Goeldi

Arqueologia Musical Amazônica


Após confecção de dois conjuntos de treze réplicas de instrumentos musicais pré-coloniais pertencentes às culturas Tapajônica, Marajoara e Xinguana, foi feita análise e classificação organológica dos instrumentos, todos pertencentes à Reserva Técnica Mário Simões, do Museu Paraense Emílio Goeldi - parceiro da pesquisa. Em sua maioria constam de idiofones (maracás) e flautas globulares (apitos), além de um zunidor xinguano. Foram realizadas gravações desses instrumentos pela bolsista PIBEX Camila Costa, com exceção do zunidor. 
Hoje um dos conjuntos foi entregue à Reserva Técnica Mário Simões do Museu Paraense Emílio Goeldi, juntamente com as fichas descritivas dos instrumentos e as gravações dos sons. O outro conjunto de réplicas ficou no acervo do Laboratório de Etnomusicologia da UFPA. A próxima etapa será a publicação de um livro com artigos oriundos dos integrantes do projeto e de alguns convidados. O projeto conta com recursos do Edital Universal/2014.


Dona Inez Cardoso trabalhando na confecção das réplicas nas dependências do MPEG.
Foto: Camila Costa, 2015.


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Arqueologia Musical Amazônica: gravações dos sons das réplicas de instrumentos marajoaras e tapajônicos das coleções do MPEG

Projeto Arqueologia Musical Amazônica

Após inventário e análise dos instrumentos musicais e sonorizantes das coleções do Museu Paraense Emílio Goeldi, foram confeccionadas réplicas de 13 peças representativas pelos mestres ceramistas dona Inez e Levi Cardoso. A confecção das réplicas foi feita com o objetivo de criação de um acervo com tais cópias no Laboratório de Etnomusicologia e para verificação das possibilidades sonoras dos instrumentos. Foram confeccionados dois conjuntos de treze peças destinados ao LabEtno e ao MPEG. Hoje foram feitas gravações dos idiofones (maracás-chocalhos) e dos aerofones (flautas globulares) tocados pela bolsista PIBEX Camila Costa, saxofonista e responsável pela organização e catalogação das réplicas.

 Fotografia: Líliam Barros, 2016.

Camila testando um jogo de duas flautas globulares com três orifícios cada uma. Nesta foto, a bolsista sopra apenas nos dois oríficios de insuflação que se encontram ao final do instrumento (na cauda do animal, uma vez que possui formato zoomorfo).

Fotografia: Líliam Barros, 2016.

Nesta imagem Camila está testando uma flauta globular com três orifícios, soprando apenas no orifício de insuflação.

 Esta flauta globular possui um único orifício, assim, Camila sopra de uma distância tal que permita que o filete de ar entre na caixa de ressonância do instrumento. Fotografia: Líliam Barros, 2016.

 O clarinetista Marcos Cohen estava testando o zunidor, amarrado a um fio de algodão. Fotografia: Líliam Barros, 2016.

 Fotografia: Lìliam Barros, 2016.

Nesta imagem, Camila está tocando a flauta globular com três orifícios e, além de soprar no orifício de insuflação, está abrindo e fechando o orifício de digitação, localizado acima da caixa de ressonância do instrumento.

As gravações foram feitas com o apoio do músico Marcos Cohen e integrarão o acervo do Laboratório de Etnomusicologia depois que tiverem sido catalogadas e organizadas. Não foram confeccionadas réplicas das peças do Museu Nacional da UFRJ e do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, mas foram realizadas gravações dos idiofones (maracás-chocalhos) que possuíam elementos de entrechoque.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Projeto Arqueologia Amazônica: Visita ao Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo

Projeto Arqueologia Amazônica: Visita ao Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo

No período entre 07 e 11 de janeiro de 2016 foi realizada visita ao acervo tapajônico e marajoara do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo - MAE-USP pela coordenadora do projeto Arqueologia Musical Amazônica, Líliam Barros. A visita foi organizada e guiada pela arqueóloga do Departamento de Arqueologia dos Trópicos - Arqueotrop/USP dra. Cristiana Barreto e teve como objetivo inventariar e analisar organologicamente as peças arqueológicas identificadas como instrumentos musicais ou sonorizantes. Ao todo foram identificados e analisados 21 peças arqueológicas pertencentes aos povos tapajônicos e marajoaras, sendo 8 idiofones e 9 aerofones tapajônicos. Foram abertas fichas de identificação destes instrumentos que comporão o catálogo final dos instrumentos musicais e/ou sonorizantes analisados pelo projeto, juntamente com os inventariados no Museu Paraense Emílio Goeldi e no Museu Nacional da UFRJ. Agradecimentos ao MAE-USP e à dra. Cristiana Barreto.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Entrevista com mestres ceramistas de Icoaraci sr. Levy Cardoso e sra. Inês Cardoso.

Os mestres ceramistas de Icoaraci, Inês e Levy Cardoso, mãe e filho, são parceiros do Laboratório de Etnomusicologia da UFPA através dos projetos de pesquisa "Arqueologia Musical Amazônica" e do projeto de extensão "Arte em Toda Parte: temas transversais como colaboradores sociais". Sua função no LabEtno foi de confeccionar dois conjuntos réplicas de 13 instrumentos musicais a partir dos exemplares constantes na Reserva Técnica de Arqueologia do Museu Paraense Emílio Goeldi, também parceiro do projeto "Arqueologia Musical Amazônica". As réplicas serão depositadas no LabEtno e na reserva de Arqueologia do MPEG. A bolsista Camila Costa é bolsista PIBEX do projeto "Arte em Toda Parte: temas transversais como colaboradores sociais" e faz acompanhamento do processo de confecção das réplicas com registros em audiovisual e demais atividades. Em fevereiro de 2015 a bolsista realizou a entrevista abaixo com os mestres que autorizaram sua divulgação no blog do GPMIA.O projeto "Arqueologia Musical Amazônica" foi contemplado com o Edital Universal 2014 do CNPq.




Camila - Há quanto tempo estão nesta atividade?
Levy- Pode falar a senhora.
Dona Inês- eu estou desde 1970. Foi na minha casa mesmo, pois o meu esposo trabalhava com cerâmica desde quando ele era jovem. Nossas famílias são ceramistas, então eu já sabia como trabalhar, manusear a cerâmica, e o meu primeiro contato foi com meu esposo, na minha casa.
Levy- Quando eu nasci meu pai já trabalhava com cerâmica e eu tive toda uma vivência desde muito pequeno participando, acompanhando os trabalhos, as atividades. Naquela época era uma brincadeira para mim, uma diversão, somente depois veio a se tornar um trabalho profissional, mas, veio dessa relação de vida mesmo, de acompanhar, experimentar.
Camila - Além de vocês, outra pessoa da familia trabalha com cerâmica?
Levy- Na realidade, quando a cerâmica começou em Icoaraci, mais ou menos na década de 1960, a cerâmica ainda era o elemento mais utilizado na vida das pessoas, desde a cerâmica utilitária, como também da cerâmica pra parte de esgoto era feito com material cerâmico, as manilhas, fogareiro. O alumínio ainda não era uma coisa muito presente, então essa relação entre uma geração mais antiga e outra mais nova, acabaram influenciando também lá no futuro, e a gente veio trazendo essa vivência do olhar. Aí, quando o meu pai já começou a desenvolver esse trabalho que era um trabalho, digamos, diferenciado, e que focava mais essa questão da cerâmica histórica, eu já vinha fazendo esse acompanhamento.
Camila- E fora vocês a sua filha também? (pergunta para Dona Inês)
Dona Inês- É a família, eu ele e a Ritinha.
Levy- Na realidade nós somos ao todo quatro filhos, e desses quatro, três que realmente se envolveram com a cerâmica, as duas acompanharam em algum momento, mas não ficaram dentro da atividade.
Camila - Como se deu a parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi?
Dona Inês- Bom, pra nós termos a entrada no museu foi através de um primo meu que trabalhava na época lá, era o Francisco. Primeiro ele trabalhava no parque,  depois que ele começou a trabalhar dentro do Campus e conheceu o Doutor Simões. Ele frequentava muito a minha casa, então um dia ele viu o trabalho do Raimundo (marido da Dona Inês), e disse: Ah,eu vou levar você pra o Doutor Simões! Ele o apresentou e o Doutor Simões logo deu uma peça pra ele fazer, ele fez uma e eu fiz a outra. Eu fiz uma que era um cariatides, e ele fez uma outra peça. Daí abriu as portas para o Museu, com o Doutor Simões.
Camila - Quais os materiais utilizados? Onde são conseguidos estes materiais?
Levy- Quando eu ainda era muito pequeno, eu tinha uma faixa de quatro a cinco anos, quando eu acompanhei o trabalho que o papai fez na rocinha, no Museu, que era um trabalho de réplica. A partir desse acompanhamento, ainda que quando pequeno, deu pra perceber que, alguns elementos que ele passou a utilizar, que ele passou a buscar, não faziam parte do cotidiano da produção cerâmica local. Dependendo da cerâmica, os elementos vão se diversificando. Então nós temos argila, que é o material básico, em alguns casos, dependendo da situação, existem algumas misturas, que eram utilizadas, como o caripé, como o próprio carvão triturado, cinza, na parte de pintura, nós temos os engodos, que são os pigmentos utilizados pra fazer a pintura e a parte de decoração. Os elementos foram, na realidade, desenvolvidos por nós, aproximando o que poderia ter sido utilizado no passado pelos indígenas, no caso, as espinhas de peixe, madeira, pedaços de madeira. O papai começou a utilizar as hastes de sombrinha pra fazer as linhas duplas, também o raio de bicicleta, semente de Inajá, pra fixar a tinta, foram descobertas, que surgiram com experiências de outros grupos também, indígenas, grupos do Marajó, da área de Quilombo. Estes grupos também tinham e têm uma vivência muito grande na cerâmica. Ele (Raimundo Cardoso) reuniu essas pessoas, na realidade, no espaço dele, e através desta experiência, ele foi juntando esses conhecimentos pra chegar o mais perto daquela cerâmica, que ainda era uma incógnita pra ele, era somente fotografia.
Camila - Quais os objetos feitos com mais frequência por vocês?
Inês- Temos as estatuetas, os pratos, as urnas, nós fazemos muito, essas peças.
Levy- A gente diversifica bastante, porque além da cerâmica arqueológica, que é uma linha específica, a gente tem um grupo, que é uma clientela extremamente específica, nós diversificamos pra uma linha mais decorativa, e hoje nós temos uma linha utilitária, com um design mais contemporâneo. Nós diversificamos muito nessas linhas de produção. Além disso, nós temos uma produção também que é nossa,  uma produção mais dentro de um processo criativo, que talvez, não seja ou ao mesmo tempo, não se pode afirmar, não tem  muita carga de toda essa cerâmica histórica, ou talvez acaba tendo, é uma coisa que a gente cria  a partir desse conjunto de  percepções.
Camila - Como ocorrem as solicitações e encomendas?
Levy- Depende muito, por exemplo, a gente trabalha com algumas lojas, que tem uma forma de negociação que pode ser por encomenda ou pode ser compra imediata. Quando nós temos essa produção disponível, nós trabalhamos também com museus, colecionadores, elas ocorrem na grande maioria por encomendas, porque são peças que dependem muito do interesse de quem vai comprar e do objetivo. Nós temos feito ao longo do nosso trabalho, coleções pra museus, principalmente da Europa, Inglaterra , aqui no Brasil também, Museu Nacional do Rio de Janeiro, dependendo dessa necessidade, fazemos todo o trabalho.
Camila - Vocês já construíram instrumentos musicais? Quais?
Levy- Já passamos por essa experiência, com alguns músicos da área de História ou arqueologia, que passaram, conheceram nosso trabalho e trouxeram propostas pra desenvolver. O nome eu não lembro muito, eu sei que era uma espécie de igaçaba, com alguns furos, com controle do tamanho da boca, não sei se pra sair ou controlar o som, na realidade não sei como funciona muito bem, mas, uma espécie de forma diferenciada. Você vai ter um som diferente, com formas arredondadas e tamanhos diferentes que, dependendo do tipo de queima da cerâmica, influencia muito no som. Quanto mais alta a temperatura, mais agudo é o som e quanto mais baixa a temperatura, mais grave é o som.
Camila - Quais são os cuidados para a construção dos instrumentos musicais?
Levy- A gente tem alguns cuidados, primeiro a espessura da peça que vai ser elaborada e o formato. O formato influencia muito na qualidade do som que está se buscando e, principalmente, os orifícios utilizados para que esses sons sejam produzidos. Deve-se ter muito cuidado na elaboração desses orifícios e como ele vai ser desenvolvido futuramente para produzir o som que sai do instrumento.
Camila - Quais as técnicas utilizadas em cerâmica?
Levy- Uma das mais conhecidas é a técnica de rolinho, faz parte da cultura indígena, quilombola, cabocla também usa muito esta técnica, que também é conhecido como Acordelado. Tem a técnica de Torno que já é mais Europeia, quer dizer entre aspas, mas, que a Europa difundiu, principalmente para cá, para as Américas, é uma técnica que a gente também utiliza. Hoje nós temos a técnica de modelagem com barbutina, ou também conhecida como argila líquida, que é uma técnica muito antiga, principalmente na cultura Chinesa. Para nós é a primeira experiência no Pará, com essa técnica, que desenvolvemos há pouco tempo, tem outra técnica elaborada com placas. São placas de cerâmica que você monta a forma.
Camila - Como se dá o seu processo criativo?
Levy- O nosso processo criativo, quando se trata, por exemplo, da cerâmica Marajoara, é muito preso em todo nosso trabalho. Ele vem de um cuidado em aproximar ao máximo daquilo que foi a cerâmica arqueológica, a cerâmica que foi encontrada e está exposta em alguns espaços, então esse cuidado acaba sendo muito presente na nossa produção. A forma, os desenhos, a característica de cada trabalho que é feito naquela peça, a gente procura ter o máximo de cuidado, até exagerado com relação a isso. Na grande maioria das vezes a gente trabalha com imagens, são fotos e nessas imagens não da pra termos a dimensão real do produto. Como a gente já reproduziu várias vezes algumas dessas peças dentro do museu e a gente pôde acompanhar visualizando e observando, temos uma noção que pode ajudar a aproximar a réplica dessas peças, mas, defendemos a ideia de que uma reprodução tem um valor agregado quando ela é feita com você acompanhando a peça original para aproximar ao máximo daquilo que foi feito pelo artesão.
            Quanto às peças criadas por nós, fica uma grande dúvida, porque a gente não sabe se tudo que a gente monta vem dessa influência ou se vêm de um processo alheio a todo esse trabalho, mas, normalmente temos um tema e esse tema acaba gerando formas, volume e no caso da produção da minha mãe, ela está mais focada em pequenos detalhes, trabalha muito com a questão das cores, são formas que estão muito relacionadas com montanhas, com paisagens da nossa região e ela começa a brincar. Às vezes você tem a impressão daquelas estruturas de mangues na composição das peças e por isso que eu digo que, às vezes, a gente não sabe muito como se forma esse processo. No meu caso eu me prendo mais à questão dessas estruturas da arquitetura principalmente egípcia. Essas estruturas que são mais rebuscadas que tem muito a ver com a questão da natureza, então a gente tem um processo muito diferente eu e ela que, no fundo, acaba tendo uma influência dessa coisa do Marajó e Tapajós.
Camila - Falando especialmente sobre as culturas marajoara e tapajônica, quais as simbologias dos padrões de decoração?
Levy- A gente considera que, no Tapajós, os Cariátes e o Gargalho são aqueles mais utilizados para dar referência a essa cultura, são peças bem específicas, tem uma característica bem singular do Tapajós e, no Marajó, algumas estatuetas, como o falo, que é bem característico e as Igaçabas de formatos arredondados, isso a gente vê bastante.
Camila - Quais as peças que você considera mais representativas dessas tradições?
Levy- Normalmente as pessoas procuram as peças Marajoaras, elas são mais procuradas do que as tapajônicas, talvez porque com as peças Marajoaras há uma maior facilidade de composição de ambiente. No caso da Tapajônica, como ela é mais barroca, ela tem menos cores, são peças mais rústicas e você talvez não tenha uma facilidade de compor em qualquer ambiente contemporâneo. As peças do Marajó já se adaptam mais facilmente, acredito que talvez isto seja um motivo. Um outro motivo que também pode contribuir é que a cerâmica Marajoara é muito mais difundida, muito mais conhecida do que a Tapajônica, a cerâmica Tapajônica não é
tao difundida no mercado como a cerâmica Marajoara.
Camila - Qual a importância do trabalho de vocês para a cultura do nosso estado?
Levy- Uma vez eu estava conversando com a doutora Edith [Pereira do MPEG]e ela falou uma coisa que não tinha chegado até nós.  Ela comentou que esse trabalho tinha uma importância muito grande em difundir, uma vez que as peças originais não podem, quer dizer não tem como você disponibilizar para a grande maioria dos espaços e que as pessoas tenham contato com esse material. Essa produção pode ajudar a difundir e talvez no sentido de criar curiosidade nas pessoas em buscar mais informações, em conhecer mais sobre essas culturas. Então acaba sendo um elemento que vai  fazer com que as pessoas tenham conhecimento sobre todo esse material que existe no estado e que existe na cultura brasileira.
Camila - Você acha que o ofício do ceramista é valorizado no nosso estado?
Levy- A questão de valorização, infelizmente não. Embora a produção cerâmica tenha sido em toda a sua história um dos maiores elementos de promoção do estado, todos os eventos, principalmente internacionais, o estado sempre busca estar representado pela produção cerâmica, mas, em termos de produção é complicado, porque até mesmo como a cerâmica é uma das atividades mais antigas do mundo e até hoje não é conhecida como profissão, você já pode imaginar como ela é tratada em processos de gestão pública. Os recursos para essa profissão geralmente estão alocados naquilo que sobra. Hoje, por exemplo, no estado do Pará os recursos estão na secretaria de promoção social, quer dizer, ai é complicado. Você tem um trabalho que exige produção, exige hoje tecnologia, exige mercado e não tem todo esse suporte que possibilita ao artesão ter facilidade ao mercado. A sua própria produção, a exportação e a adequação do seu processo hoje com relação à questão ambiental, retirada da argila, tratamento deste espaço, tipos de queima, que é uma exigência internacional, isso não acontece. Tanto que a grande maioria dos ceramistas de Icoaraci acreditam que dentro de 15 anos, talvez até com muito otimismo, a cerâmica chegue a uma produção mínima dentro do estado do Pará.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Notícias do Projeto "Arqueologia Musical Amazônica"



O Projeto de Pesquisa “Arqueologia Musical Amazônica” iniciou a terceira fase de sua trajetória. Os artesãos Inez Cardoso e Levy Cardoso estão confeccionando as réplicas dos instrumentos musicais Tapajônicos e Marajoaras constantes na Reserva Técnica "Mário Simões", do Museu Paraense Emílio Goeldi. Serão confeccionados dois conjuntos de 13 instrumentos musicais destinados ao próprio Museu Goeldi e ao Laboratório de Etnomusicologia da UFPA.  Este projeto de pesquisa tem como objetivo o estudo dos instrumentos musicais das culturas pré-cabralianas constantes nos acervos do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Museu Nacional da UFRJ e está sendo desenvolvido em parceria com as respectivas instituições.  Apenas a instituição paraense terá réplicas confeccionadas por razões de logística. Tendo em vista a tradição da cerâmica em Icoaracy, os mestres ceramistas Inez Cardoso e Levy Cardoso foram convidados para confeccionar as réplicas. Todo o processo de entrevista e acompanhamento desta fase da pesquisa está ocorrendo de forma integrada ao projeto de extensão “Arte em Toda Parte: temas transversais como colaboradores sociais” através do plano de trabalho “Criação de acervo de réplicas instrumentos musicais Tapajônicos no Laboratório de Etnomusicologia”, desenvolvido pela bolsista PIBEX Camila Costa. A confecção das réplicas tornou-se necessária para manipulação dos instrumentos e verificação de suas possibilidades sonoras. Dos 13 instrumentos selecionados, 7 são aerofones com 1, 2 ou 3 orifícios e 5 são idiofones. Todo o processo está sendo registrado em vídeo e com fotografias. O projeto conta com financiamento do Edital Universal 2014 e da PROEX/PIBEX. Os projetos de pesquisa e extensão acima referidos fazem parte do Grupo de Pesquisa Música e Identidade na Amazônia - GPMIA e do Laboratório de Etnomusicologia  da UFPA - LabEtno.



Levy Cardoso - mestre ceramista
Foto - Camila Costa



Inez Cardoso - mestra ceramista de Icoaracy
Foto - Camila Costa


Camila Costa - bolsista PIBEX
Foto -Diego Di Paula




Coordenação do projeto - Líliam Barros
Pesquisadores consultores - Dra. Maura Imazio (MPEG) e Dra. Simone Mesquita (MN - UFRJ)
Técnica - Regina Silva
Pesquisadora do GPMIA - Lohana Gomes
Bolista PROEX - Camila Costa
Fotógrafo das peças do Museu Nacional - Jonas Feitosa (UERJ) 
Fotógrafa das peças do Museu Paraense Emílio Goeldi - Lohana Gomes
Ceramistas parceiros - Inez e Levy Cardoso

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Projeto Arqueologia Musical Amazônica



Projeto Arqueologia Musical Amazônica
Coordenadora Líliam Barros
Instituições participantes - Museu Paraense Emílio Goeldi; Museu Nacional da UFRJ
Apoio - Laboratório de Etnomusicologia da UFPA
Equipe:
Lìliam Barros - coordenadora
Simone Mesquita - pesquisadora consultora do MN
Maura Imasio - pesquisadora consultora do MPEG
Rafael Severiano - PPGARTES
Sidney Mayon - GPMIA
Lohana Gomes - GPMIA
Objetivos e métodos:Trata-se do estudo organológico e interpretação dos usos associados aos instrumentos musicais precolombianos das coleções arqueológicas Tapajônica, Marajoara e Xinguana do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Museu Nacional da UFRJ.


A pesquisa deverá ser realizada em três anos. No primeiro ano será estudada a Coleção Tapajônica do Museu Paraense Emílio Goeldi, constituída por 24 apitos zoomorfos e 3 estatuetas antropomorfas. Nos anos seguintes serão estudadas as coleções Marajoara e Xinguana (Rio Curuá), que serão elencadas a partir do momento em que a pesquisa for aprovada. As peças selecionadas serão anexadas ao termo de uso de imagem, a ser assinado pela pesquisadora por ocasião da apreciação do projeto.
Inicialmente será feito levantamento bibliográfico na área de etnomusicologia e arqueologia musical visando conhecer as experiências realizadas em países da América Latina e do Norte, bem como procurando problematizar os estudos arqueológicos no campo da pesquisa musical. Concomitantemente será realizado levantamento bibliográfico acerca dos estudos sobre arqueologia amazônica. As fontes históricas também serão consultadas, tais como crônicas de naturalistas viajantes, padres e/ou cartas e documentos oficiais que abordem questões relacionadas às peças contidas nestas coleções. Estudos etnológicos sobre as populações indígenas amazônicas e estudos etnomusicológicos sobre as Terras Baixas da América do Sul serão realizados concomitantemente aos demais, dando continuidade aos estudos já realizados pelo Grupo de Pesquisa Música e Identidade na Amazônia.
Em sequência, terá lugar a análise dos instrumentos musicais. Serão feitos registros fotográficos após o consentimento da instituição parceira e a análise organológica e morfológica dos instrumentos musicais será realizada a partir de um estudo comparativo de metodologias de classificação de Curt Sachs e outras experiências de taxonomização (IKEDA, 1997; SATOMI, 2008; SEEGER, 1987; TRAVASSOS, 1987). Será feita catalogação dos instrumentos musicais indicando sua numeração, local de origem, dados bibliográficos e do coletor e outras informações consideradas relevantes, pretende-se, também, oportunizar imagens gráficas dos instrumentos musicais, a partir de desenhos indicando o processo de produção sonora. Para tanto, serão investigadas outras experiências em museus da América Latina e de outros países com coleções de instrumentos musicais. As imagens e outros arquivos ficarão guardados no acervo do Grupo de Pesquisa Música e Identidade na Amazônia – GPMIA, com restrição de acesso.
Caso haja necessidade, viagens aos campos onde foram coletadas as peças poderão ser realizadas, bem como procedimentos relativos a datações de outras ações próprias da área da arqueologia, a depender dos recursos financeiros captados em agências de fomento.
A partir do estudo bibliográfico específico voltado para cada área arqueológica, pretende-se ter uma compreensão da dimensão de tipos de instrumentos musicais presentes nas coleções, representativos das culturas precolombianas e de possíveis interpretações de seus usos cerimoniais. Serão observadas notificações sobre outros achados arqueológicos no mesmo sítio no qual foram encontrados os instrumentos musicais, tendo em vista uma percepção de dimensão mais abrangente em relação ao contexto arqueológico e sociocultural das práticas musicais.
O projeto terá um caráter amplo e poderá abrigar subprojetos desta natureza em sítios arqueológicos ao longo da região amazônica se houver demanda para isto. O projeto poderá estender-se, também, para o campo da pesquisa em Iconografia Musical e da etnoarqueomusicologia, tendo em vista os diversos sítios com arte rupestre na região e as possibilidades de interesse de grupos indígenas em estabelecer parcerias com o GPMIA.
O projeto deverá integrar as demais atividades do Grupo de Pesquisa Música e Identidade na Amazônia – GPMIA com a participação nos Seminários do GPMIA, nas reuniões de estudo mensais, na inclusão de bolsistas e pesquisa, e na produção científica em livros, periódicos, congressos e demais participações da área.